Corporações no controle de um país, a nação rica de hoje em dia vive um dilema que começou a algumas décadas atrás, para onde grande parte dessa prosperidade está indo? certamente não é para a maior parte da população, e sim para um punhado de empresas e indivíduos. 

A nação mais poderosa de todos os tempos, se tornou refém das corporações que ela mesma ajudou a prosperar, e hoje já não importa se o presidente for do partido Democrata ou do Partido Republicano, pois ele não passa de um fantoche.

As corporações americanas têm o poder de controlar todo o país, mudando as regras do jogo a hora que quiserem e alocando recursos públicos aonde acham que devem. Esta não é uma previsão do que está por vir; esta é uma simples constatação do cenário atual.

As corporações capturaram os Estados Unidos: seu judiciário, seu sistema político e suas riquezas nacionais, e sem assumir nenhuma responsabilidade por isso tudo. As evidências estão em todos os lugares, basta procurar.

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INDÚSTRIA DA DEFESA

US DEFENSE INDUSTRIAL BASE FACES NUMEROUS THREATS, MULTI-DEPARTMENT STUDY  FINDS | AIR & SPACE FORCES MAGAZINE

O ano era 1961, o presidente dos EUA era Dwight Eisenhower. Eisenhower foi General cinco-estrelas do Exército Americano, posto mais alto das forças armadas, equivalente ao posto de Marechal no Exército Brasileiro. Ele também foi o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. 

Durante a sua presidência, ele teve um papel fundamental na criação de diversos órgãos militares e industriais, como a NASA e a DARPA, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa. Além disso, foi responsável por expandir significativamente os programas de armamento do país, o que contribuiu para tornar os Estados Unidos o país mais poderoso do mundo.

E no ano de 1961 ele daria um dos discursos mais importantes sobre o futuro dos EUA. O discurso foi sobre a crescente influência da indústria de defesa dentro do governo americano. Não havia ninguém melhor que Eisenhower para fazer esse discurso. 

Ele acreditava que a indústria de defesa americana buscaria mais os seus próprios interesses do que os interesses do povo americano, e temia que sua crescente influência, que se não fosse controlada, pudesse minar a democracia americana. A indústria militar é essencial para todos os países, porém nesse caso ela já estava tomando o controle do país em suas mãos e recursos que fariam falta a população.

Infelizmente para o povo americano seu discurso virou realidade. A ganância dessas empresas se tornou tão grande, que diversas guerras são fomentadas, apenas com o interesse de transferir o dinheiro que é público para a mão dessas empresas.

Para se ter um exemplo, durante a guerra do Vietnã, a Dow Chemical Company, fabricante do napalm e do agente laranja, lucrou durante anos com a guerra ao custo de sofrimento do povo vietnamita. Exemplos iguais a este são incontáveis na história recente americana.

Incontáveis também são os casos de corrupção no setor da defesa, envolvendo grandes empresas como a Lockheed Martin e a Boeing, que em diversas ocasiões foram pegas subornando funcionários do Departamento de Defesa e até políticos de diversos países do mundo.

O orçamento para o setor da defesa vem batendo recorde atrás de recorde nos últimos anos, em 2022 o Congresso dos EUA aprovou o orçamento anual de 840 bilhões de dólares para defesa.

Em nosso vídeo sobre: Como os EUA roubaram o Iraque, falamos sobre alguns destes assuntos.

INDÚSTRIA FINANCEIRA

WALL STREET TIMELINE

As corporações financeiras americanas agora controlam todos os estágios da política – o legislativo, o executivo e o judiciário. 

Em 2010 a Suprema Corte decidiu no caso Citizens United liberar corporações, executivos do mercado financeiro e associações comerciais para financiar candidatos políticos e comitês de campanha chamados de “Dark Money”, ou dinheiro escuro, que são comitês de campanha que não precisam divulgar seus doadores.

Como resultado, as corporações e empresas doam para ajudar a eleger candidatos que retribuirão o “favor” os agraciando com contratos públicos lucrativos ou legislando à seu favor. Em uma entrevista de 2015, o ex-presidente Jimmy Carter afirmou que os Estados Unidos são agora “uma oligarquia com suborno político ilimitado”.

Segundo um estudo realizado pela ONG Americans for Financial Reform (ou Americanos pela Reforma Financeira), mostra um esforço histórico de bancos e várias outras empresas de serviços financeiros para contribuir com campanhas políticas e de lobby feitas em Washington.

O estudo diz que o setor de serviços financeiros bateu recorde de doações na campanha presidencial de 2020. No ano de 2016 o valor chegou a 2 bilhões de dólares, e em 2020 o valor foi de 2,9 bilhões de dólares. Entre os maiores doadores do setor financeiro em 2020 estão a Bloomberg, Blackstone, Charles Schwab, a Associação de Bancos Americana e o banco Wells Fargo.

Lisa Donner, diretora executiva da ONG, deu a sua opinião sobre o estudo: “Ano após ano, essa torrente de dinheiro dá a Wall Street um papel descomunal na forma como somos governados, ao mesmo tempo em que impulsiona e protege políticas que ajudam os super-ricos desta indústria a acumular fortunas ainda maiores às custas do resto de nós”.

Um dos principais problemas no mercado corporativo é a remuneração exorbitante de CEOs e altos executivos de corporações.

O Instituto de Política Econômica (Economic Policy Institute) fez um mapeamento que deixou evidente o abismo salarial dentro de uma mesma empresa. O resultado mostrou que, em 2020, os presidentes das 350 maiores empresas americanas ganharam, na média, 351 vezes mais que seu funcionário “médio”

O salário dos presidentes, conforme o levantamento, cresceu 18,9% naquele ano, enquanto o ganho do trabalhador comum avançou só 3,9%. O estudo mostra ainda que, em 1965, essa diferença de salário entre o CEO e o restante da empresa era de 21 vezes.

A remuneração média dos CEOs dos EUA em 2010 aumentou 35% em meio a uma crise financeira, enquanto a remuneração dos CEOs na década de 2000 dobrou. No entanto, não houve justificativa para os atuais níveis de remuneração dos CEOs com base no valor econômico agregado. 

Quando Lee Raymond se aposentou como CEO da ExxonMobil no final de 2005, depois de seis anos no comando da empresa e outros seis como chefe da Exxon antes disso, ele saiu com mais de 250 milhões de dólares. Somente em seu último ano, Raymond recebeu mais de 70 milhões em compensação total, com salário e ações da empresa. 

Calculando seu salário, chegamos ao número de 34.500 dólares por hora. Nenhuma métrica financeira poderia justificar tamanha recompensa. Hoje em dia, casos como o de Lee Raymond são prática comum.

Outro fator importante, foi o resgate de empresas do setor financeiro na crise financeira de 2008. A crise do subprime foi o resultado do estouro de uma bolha de investimentos massivos em hipotecas nos EUA que cresceram ao longo dos anos 2000. As hipotecas são uma forma de financiamento imobiliário comum nos EUA, em que o imóvel é dado como garantia ao banco caso o tomador não consiga pagar as dívidas. 

Já o nome “subprime” refere-se a empréstimos concedidos a pessoas com alto risco de crédito, isto é, com pouca estabilidade financeira e credibilidade para pagar contas. Por natureza, empréstimos subprime são investimentos extremamente arriscados e com altíssima chance de default — termo financeiro para “calote”.

Porém uma informação importante, esses bancos tinham pleno conhecimento do que estava acontecendo, porém eles ainda estavam lucrando com isso. E só quando já era inevitável que começaram a tomar atitudes para evitar o pior. Como resultado, houve a quebra do banco centenário Lehman Brothers e da seguradora AIG. Diversos outros bancos e empresas financeiras ficaram próximos da falência.

O que o governo fez diante disso? Deixou essas empresas pagarem pela irresponsabilidade e má fé na conduta das hipotecas? Não! O governo resgatou diversas empresas do setor financeiro, através de lobby do presidente Bush o congresso americano autorizou o resgate dessas empresas no valor de 440 bilhões de dólares. A sua empresa foi negligente? Não tem problemas! O pagador de impostos banca a sua irresponsabilidade!

Assista nosso vídeo sobre a BlackRock, empresa do setor financeiro, e entenda o enorme poder e influência que ela tem na política e economia americana.

BIG TECHS

BIG TECHS: O QUE SÃO, AS MAIORES, IMPORTÂNCIA - MUNDO EDUCAÇÃO

É inegável o poder que as empresas de tecnologia americanas adquiriram nas últimas décadas e anos. Em Washington houveram algumas tentativas de diminuir essa influência e monopólio das empresas de tecnologia, e alguns políticos já começaram a falar em uma nova lei Antitruste, nos moldes da lei que desmembrou o monopólio da Standard Oil em 34 empresas no setor petrolífero.

Porém as big techs investem pesado para comprar votos através de lobby e evitar que isso aconteça. As maiores empresas de tecnologia dos EUA gastam milhões de dólares todos os anos buscando impedir a legislação destinada a reforçar a fiscalização antitruste e forçar outras mudanças no setor.

Entre 2010 e 2020, este foi o valor gasto com lobby pelas principais empresas de tecnologia: A Apple gastou 24 milhões de dólares, o Facebook gastou 50 milhões de dólares com lobistas. A Amazon gastou 89,3 milhões de dólares em lobby e contratou um total de 665 lobistas. Já a Alphabet (empresa dona do Google) gastou 154 milhões de dólares.

EVASÃO FISCAL

Não é incomum que as grandes corporações dos EUA não paguem impostos de renda, apesar de terem bilhões de dólares em lucros. 55 das maiores empresas dos Estados Unidos não pagaram imposto de renda durante um período de três anos de 2018 a 2020, ao mesmo tempo em que geraram grandes lucros. 

Muitos até receberam incentivos fiscais que somam centenas de milhões de dólares. Claramente, as corporações tornaram-se extremamente experientes em encontrar maneiras de pagar menos impostos. Essas são as duas maiores estratégias de evasão fiscal:

A depreciação acelerada permite que uma empresa deduza os custos dos ativos adquiridos ao longo de um período de anos e a uma taxa que excede a depreciação real dos ativos.

Quando as empresas adquirem ativos caros, como prédios ou equipamentos de fábrica, elas podem abater esses custos de seus lucros por um período de anos.

Outra estratégia muito conhecida são os paraísos fiscais: Existem incentivos fiscais significativos para as empresas americanas transferirem lucros e empregos para o exterior, Muitas empresas encontraram maneiras de se terem as suas sedes oficialmente fora dos EUA e pagar taxas de imposto corporativo mais baixas em seus novos países de origem, embora uma parte significativa de suas operações ainda possa residir dentro dos EUA.

Manter o dinheiro nesses paraísos fiscais é outra estratégia comum. Repatriar o dinheiro  para os EUA significaria ter que pagar impostos sobre ele. Big Techs como Apple e Microsoft, divulgaram um total de mais de 100 bilhões de dólares que nos últimos anos foram mantidos no exterior para não serem sujeitos à tributação dos EUA.

CONCLUSÃO

As corporações foram extremamente bem sucedidas em conseguir desvirtuar o capitalismo e a democracia no país mais rico do mundo para seu próprio benefício, e hoje, ambos foram substituídos pela Corporocracia.