Oligarcas russos, conhecidos pelo seu estilo de vida luxuoso, com megaiates, aviões, times de futebol e muito mais, desfrutavam de uma enorme influência e controle na política do país o que garantiu a ascensão meteórica desses indivíduos. 

Em 1991, um pequeno grupo de russos emergiu do colapso da União Soviética para reivindicar a propriedade de alguns dos mais valiosos depósitos de petróleo, gás natural e metais do mundo. Isso resultou em uma das maiores transferências de riqueza da história: “em um país que não tinha nem milionários, cinco desses indivíduos chegaram na lista da revista Forbes dos bilionários mais ricos do mundo.

O controle que o partido comunista tinha sobre o país praticamente foi transferido para esses homens até que um oponente a altura aparecesse. Com a entrada de Vladimir Putin na presidência ele prometeu manter a fortuna dos oligarcas, porém exigiu que eles acabassem com qualquer pretensão de se envolver ou influenciar a política do país. 

A maioria deles acabou aceitando a proposta, porém alguns poucos o desafiaram e acabaram sendo exilados da Rússia, em um caso um oligarca acabou perdendo a sua vida em circunstâncias muito duvidosas.

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Ascensão dos Oligarcas

O surgimento dos oligarcas faz parte da história das reformas econômicas pós-soviéticas. O novo governo russo rapidamente embarcou em um curso de reformas chamado terapia de choque, com o objetivo final de impedir o retorno do comunismo à Rússia. A política, que foi totalmente apoiada por conselheiros ocidentais que estavam lá, era liberar imediatamente os controles de preços e privatizar as empresas estatais o mais rápido possível.

A crença principal dos governantes era que uma empresa privada era mais eficiente que a uma empresa estatal, e esse seria o caminho mais rápido para o crescimento econômico e, assim, ganhando assim apoio popular. Se eles pudessem convencer o público a apoiar o processo de privatização, então seria mais difícil voltar ao comunismo.

Porém, os russos e os seus conselheiros, negligenciaram o fato de que eles estariam apenas privatizando grandes empresas que eram monopólios e não abriram concorrência. Então o que aconteceu? Eles transformaram monopólios estatais em  monopólios privados, o que não seria muito diferente. O setor de pequenas empresas representava apenas 10-30% do PIB russo, contra uma média de 50% do PIB no ocidente.

Os pequenos grupos de indivíduos que emergiram no controle das empresas privatizadas se dividem em três grupos diferentes. O primeiro são ex-diretores de fábricas que se tornaram donos dessas fábricas. Este grupo manobrou os trabalhadores para ganhar o controle total das fábricas. Os dois grupos seguintes, foram os que obtiveram a maior riqueza – os oligarcas tradicionais e os não-tradicionais.

Os oligarcas tradicionais eram as elites econômicas soviéticas que se aproveitavam de suas posições para privatizar as indústrias que regulavam. Por exemplo, Viktor Chernomyrdin, que supervisionou a produção de gás natural durante a era soviética, passou a chefiar a Gazprom, a maior empresa da Rússia, que tinha o monopólio no setor de gás no início dos anos 90. Quando Chernomyrdin se tornou primeiro-ministro, ele passou o controle para seu vice, que trabalhava com ele no Ministério.

Já os oligarcas não-tradicionais foram ainda mais bem-sucedidos. Enquanto alguns trabalhavam para o estado soviético, estavam longe de ser membros da elite. Muitos deles eram membros de grupos minoritários que foram impedidos de terem carreiras promissoras sob o sistema soviético por causa de suas origens. 

Esses indivíduos ganharam experiência no mercado negro e tiveram uma grande vantagem em operar na economia de escassez do início da Rússia pós-soviética, especialmente em termos de aquisição de dinheiro e gerenciamento de seu fluxo de caixa com bancos informais. Olhe para boa parte dos oligarcas, quase todos eles possuíam ou criaram um banco. Esses bancos seriam essenciais para a aquisição de ativos espalhados por todo o país, principalmente em recursos naturais.

As consequências da terapia de choque foram graves para a Rússia. A economia contraiu quase 50% entre 1991-97 e o país experimentou hiperinflação no início da década de 1990. Seguiu-se a disfunção social, com um aumento dramático da pobreza, corrupção e fuga de capitais. Alguns especialistas argumentam que havia outro caminho possível. 

Eles dizem que a Rússia poderia ter seguido o exemplo da Polônia, que se concentrou em incentivar a formação de startups e pequenas empresas, em vez de apenas privatizar as grandes empresas estatais. Em um período muito curto de tempo, os poloneses criaram dois milhões de novas empresas, enquanto em um período semelhante os russos criaram apenas 800.000. 

Principais Oligarcas

Da primeira geração de oligarcas russos, se destacam Mikhail Khodorkovsky e

Boris Berezovsky.

Nos últimos anos da URSS, já estava claro o KGB que a economia do país estava arrasada e com objetivo de manter as atividades da agência em funcionamento eles criaram uma economia paralela, ou mercado negro. Se aproveitando do embargo do país a diversos produtos estrangeiros, eles começaram a importar secretamente diversos tipos de produtos para a URSS.

Khodorkovsky foi selecionado pelo KGB para liderar uma iniciativa de programação e estudos científicos na área que pudessem gerar algum retorno financeiro à agência. Mas para isso ele precisava de permissão para poder fazer dinheiro (o que era proibido na época) e também precisava de computadores, ele conseguiria ambos através da agência. Após o início da abertura da economia do país com a  perestroika em 85, esse processo se acelerou, e Khodorkovsky viria a ter uma das primeiras empresas privadas do país.

Boris Berezovsky também ficou rico no período do declínio da URSS. Ele havia trabalhado como consultor em gerenciamento de informações para a AvtoVaz (produtora do Lada), a maior produtora de automóveis soviética, e em 1989 usou esses contatos para montar a LogoVaz, a primeira concessionária privada de automóveis da URSS. 

A LogoVaz comprou carros ao preço estabelecido pelo Estado para carros destinados à exportação e os vendeu a um preço muito mais alto do que esses carros poderiam ser vendidos na Rússia. Os lucros permitiram a Berezovsky expandir seus negócios nos setores de óleo e gás e bancário. 

Berezovsky teve um relacionamento próximo com o presidente Boris Yeltsin. Como resultado, ele ganhou o controle financeiro da companhia aérea estatal russa, Aeroflot, e da Televisão Pública Russa (ORT), o principal canal de televisão da Rússia.

Ele também foi um dos principais financiadores da campanha de reeleição de Yeltsin em 1996. Semanas após a vitória dele, Berezovsky se gabou ao jornal Financial Times de que ele e seis outros oligarcas russos controlavam metade da economia do país.

Além disso, Berezovsky ajudou um dos oligarcas mais conhecidos de hoje, Roman Abramovich (dono do Chelsea). 

Através de seus contatos políticos ele ajudou Abramovich a assegurar o controle da empresa de petróleo Sibneft através de um leilão fraudulento, onde a empresa foi comprada por apenas uma fração do que realmente valia. A empresa foi comprada por 250 milhões de dólares, sendo metade desse valor vindo de um empréstimo do estado Russo. E para quem ele venderia a empresa mais tarde? Para o próprio estado Russo, no valor de 13 bilhões de dólares, uma valorização de 5200%. 

A Queda

O que Putin fez para conseguir domar os oligarcas e controlá-los totalmente?

Putin prometeu manter a fortuna deles caso não se envolvessem com a política do país.

Putin arrancou o controle das corporações e da riqueza da Rússia dos sete maiores oligarcas. Ele desencadeou um processo e prisão de Mikhail Khodorkovsky e forçou Boris Berezovsky e Vladimir Gusinsky ao exílio. (Berezovsky morreria em circunstâncias suspeitas em Londres no ano de 2013) Putin construiu uma nova classe oligárquica mais rigidamente controlada pelos seus velhos amigos, ex-alunos do KGB e outros membros das forças de segurança.

Em 2009, de acordo com um artigo publicado pela empresa de inteligência Stratfor, 78% dos líderes empresariais e governamentais russos tinham vínculos com órgãos de segurança, incluindo o FSB, a agência sucessora do KGB. 

Este grupo é extremamente leal a Putin, compartilhando em grande parte seu pensamento anti-ocidental. Muitos falaram sobre a possibilidade dos oligarcas tentarem derrubar Putin do poder, mas esse cenário parece muito improvável.